Você pode estar curioso ou até desconfiado sobre o que significa essa nova onda: “power skills, oi?” Convido você à seguir o raciocínio e depois que chegue à sua conclusão!
As power skills, como o nome indica, são competências de “poder e potência”, neste caso, poder de impacto no negócio, pensando em um olhar estratégico, sistêmico e de futuro, com potencial de transformar e influenciar o destino da organização e o ecossistema em que esta opera. São frequentemente competências associadas ao nível executivo da organização e à alta liderança. No entanto, hoje não se podem restringir a esses níveis ou papéis.
Citando Jeroen Kraaijbrink, “as hard skills se ancoram na competência técnica e as soft skills nos conectam com as pessoas e nossa capacidade de trabalhar colaborativamente. As power skills nos permitem operar estrategicamente em um ambiente onde a incerteza é a norma e a transformação é constante.”
Em um ambiente complexo, ambíguo e globalizado, acelerado pela tecnologia, em que as empresas caminham para modelos em rede, mais colaborativos, de liderança e decisão descentralizada, estas habilidades, nos diferentes níveis organizacionais, associadas a excelentes soft skills, vão contribuir para melhores análises e decisões estratégicas e, por conseguinte, maior sustentabilidade e prosperidade das organizações.
Poderíamos resumir as power skills como a capacidade de navegar pela complexidade, liderar mudanças e moldar o futuro. Ao aprofundar os conceitos sobre essa definição, há um conjunto de habilidades específicas a desenvolver, entre elas: pensamento estratégico, visão sistêmica, mapeamento, gestão e influência de stakeholders, gestão da mudança e transformação, integração de polaridades (curto-longo prazo, resultados-pessoas, qualidade-inovação, operação-estratégica, dia a dia- futuro), entre outras.
Sem power skills, as organizações e as equipes que as conduzem correm o risco de se tornarem eficientes e amigáveis, mas sem direção, ou incapazes de se adaptar quando seu ambiente muda. E como ele muda! Essa é uma certeza absoluta! Com power skills, as empresas e as equipes se tornam resilientes, navegando pela imprevisibilidade com maior conforto, com um olhar para o futuro, que vai além do próximo mês, e de como gerar valor para e com o ecossistema de stakeholders, além do resultado financeiro para acionistas.
Como qualquer processo de aprendizagem de adulto, tudo começa por identificar e acreditar na importância dessas competências para o seu sucesso pessoal e profissional individual, além da necessidade específica para o seu papel e função, independentemente de ser ou não da alta liderança, ou mesmo de ser líder. Alguns podem já ter na sua essência e repertório de power skills, mas, como habilidades de liderança ou soft skills, qualquer um pode desenvolver.
Isso é possível por meio de mentores, coaches, livros ou cursos que tragam os elementos mais conceituais e teóricos, assim como práticas, ferramentas e modelos. Outro elemento relevante é começar a praticar e experimentar no dia a dia os comportamentos associados a cada power skill.
Jeroen Kraaijbrink, já referido acima, traz um modelo de 5 eixos de power skills:
- Entender o presente – A capacidade de ver a realidade com clareza, entender os sistemas e eliminar o ruído.
- Moldar o futuro – A capacidade de visualizar, antecipar e projetar o que vem a seguir.
- Mover o sistema – A habilidade de mobilizar as partes interessadas (stakeholders), influenciar a dinâmica e orquestrar mudanças.
- Entregar os resultados – A disciplina para traduzir a estratégia em execução, garantindo impacto e responsabilidade, conectando estratégia e propósito, cultura, liderança e processos.
- Adaptação à mudança – A resiliência para aprender, ajustar e renovar diante da disrupção, sabendo que sempre vai continuar mudando
Estamos em um momento de transição de paradigma de liderança e gestão, de modelos tradicionais de comando e controle, ainda muito presentes nas empresas familiares e nas indústrias, para modelos de liderança e responsabilidade compartilhada, interativos em rede e plataformas, guiados pela evolução tecnológica acelerada e inovação e simultaneamente por modelos mais humanos e com propósito claro.
Acreditamos que em uma primeira fase, iniciada nos últimos 5 a 10 anos, a alta gestão está realizando a mudança de modelo mental, se dedicando a desenvolver estas competências. Estas organizações, e/ou seus líderes, entenderam que apenas com hard e soft skills correm o risco de ficar sem rumo, por mais que tenham boa intenção.
Em uma segunda fase, atualmente dando os primeiros passos, em que habilidades como pensamento crítico e analítico estão no topo das habilidades desejadas por quem contrata, as power skills passarão a fazer parte das competências buscadas. Todos nós vamos trabalhar em um ecossistema integrado de funções e atividades, onde diariamente teremos que usar nossos soft skills nas interações profissionais e também power skills para antecipar e navegar em direção ao futuro.
Era mais simples no século passado, hoje é mais complexo com certeza. Escolher por onde começar nem sempre é óbvio. O importante é a tomada de consciência inicial e a reflexão sobre quais são as nossas aspirações futuras, tanto a nível individual, como organizacional. A partir daí é possível começar a percorrer um caminho, que ainda não existe. Quem der os primeiros passos terá o risco, mas também o benefício da vantagem.
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Com foco no desenvolvimento de equipes de liderança de alta performance, a Quantum Development apoia seus clientes na sua profissionalização e na transformação da cultura organizacional em um mundo em constante evolução. Criada em 2021 pelas sócias-fundadoras Bianca Aichinger e Susana Azevedo, que possuem mais de duas décadas de experiência no mercado corporativo nacional e internacional, a Quantum Development tem em seu portfólio de clientes empresas como Grupo Leveros e Uappi.


