A Quantum Development com a ICF promovendo a profissionalização na prática do coaching
Por Bianca Aichinger e Susana Azevedo
O coaching é uma palavra que ganhou notoriedade nos últimos anos e virou até uma “moda”. Mas o fato é que o termo passou a ser utilizado no contexto de desenvolvimento de pessoas no século passado. Naquele momento, professores e tutores particulares eram chamados de coaches. Algumas décadas depois, em meados do século, o ”título” passou a designar treinadores esportivos. Em 1980, ele passou a ser adotado no contexto empresarial, e somente na década de 90 se tornou uma metodologia reconhecida e difundida.
Naquele momento em que se começa a falar de empregabilidade e desenvolvimento no contexto pessoal e executivo, é fundada, nos Estados Unidos, a Federação Internacional do Coaching (ICF), no ano de 1995. Suas primeiras iniciativas, nos anos seguintes, foram a definição do código de ética e de um conjunto de padrões de competência para seus profissionais. Até hoje esta é a maior instituição global sem fins lucrativos que promove o profissionalismo e a excelência no coaching. A ICF possui mais de 60.000 membros em mais de 150 países.
O uso do termo mudou com o tempo, mas nunca se afastou do contexto de desenvolvimento e aperfeiçoamento pessoal ou organizacional. Segundo a definição atual da ICF (International Coaching Federation), “coaching é uma parceria com o cliente em um processo criativo, que o instiga à reflexão e o inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional”.
Durante estes quase 30 anos, muito aconteceu com a profissão. Estima-se que o mercado atual global de coaching beire os US$ 5 bilhões, valor 60% superior ao valor pré-pandemia (2019). Segundo relatório da ICF, este mercado, na América Latina e Caribe, totaliza um valor de US$ 332 milhões. Nesta região, estima-se que operem quase 15 mil profissionais.
O crescimento do mercado reflete um crescimento de 55% na quantidade de profissionais oferecendo o serviço de coaching neste período (2019 – 2022). A pandemia, dos últimos anos, acelerou o processo de crescimento e maturação deste mercado, pois escancarou necessidades de desenvolvimento não só dos profissionais, mas também de como funcionam como equipe e como impactam a cultura organizacional.
Em agosto passado, as sócias da Quantum Development estiveram na Converge 23, evento bianual global da Federação que aconteceu na Flórida, nos Estados Unidos (o primeiro presencial após a pandemia), e observaram algumas tendências neste mercado que gostariam de compartilhar.
O que mais impressionou, durante este encontro, foi a força e intensidade com que os temas de diversidade foram abordados. Para começar, o termo Diversidade e Inclusão, muito difundido, foi expandido para Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento. Não basta mais trazer pessoas diversas para as organizações – é necessário criar um ambiente colaborativo que permita que todos sejam de fato ouvidos e valorizados. O termo em si “cresceu”, e agora traz consigo temas como liderança inclusiva e cultura de colaboração.
Neste tema, ainda se observa uma expansão em relação ao que é diversidade para além das bandeiras tradicionais – até pouco falávamos de raça, etnia, gênero e orientação sexual. Passamos agora também a incluir nesta discussão e visão questões relativas à neurodiversidade e a um melhor entendimento da questão geracional. É preciso que os profissionais da área de desenvolvimento busquem se aprimorar e se aprofundar nestes dois temas adicionais, cuja relevância está se revelando neste momento pós-pandemia.
Outro tema importante que cresceu neste encontro se refere à tecnologia. Foram discutidas formas de integrar, tanto metodologias de desenvolvimento de produtos digitais e a metodologia Ágil e o Design Thinking, quanto a Inteligência Artificial. Entendemos que esta é uma conversa inicial – já sabemos que o coaching e a tecnologia em algum momento encontrarão pontos de intersecção, mas ainda existem muitas dúvidas em relação a como fazer isso de forma ética e que beneficie o cliente e a profissão.
Por fim, observamos uma expansão ou diversificação das metodologias e escopos de trabalho. Se considerarmos o coaching individual voltado para resultados como a base ou o ponto de partida, agora falamos também de criatividade e saúde mental neste contexto, assim como sobre o trabalho com equipes por meio do coaching de equipes, e, em casos de maturidade corporativa mais elevada, do fomento de uma cultura de coaching, em que todos os colaboradores, independentemente do nível, têm acesso a um coach e na qual líderes recebem treinamento para trabalhar, utilizando a abordagem em seu dia-a-dia.
Ao olhar o todo, observamos uma grande mudança de paradigma no cenário de desenvolvimento humano e organizacional, de um coaching para poucos há menos de 30 anos atrás, para um coaching para todos, em que a profissão aporta diferentes conhecimentos e metodologias de forma a atingir e gerar valor em todos os níveis e em resposta a diferentes necessidades.
Com esta expansão, observa-se uma necessidade ainda maior de que se certifique que a profissão, que não é regulamentada por órgãos governamentais, reforce ainda mais seus altos padrões em termos de ética e competência. Observamos que a ICF está muito atenta a esta grande mudança, e está respondendo de acordo. Além de uma revisão do processo de credenciamento de profissionais, agora se mostra mais exigente e diligente. Observamos também um enorme fortalecimento e presença dos comitês de ética e DEIP (Diversidade, Equidade, Inclusão e Pertencimento).
A participação no evento trouxe reflexões importantes. Entendemos que, para que uma atuação séria e sólida possa acontecer, dada a velocidade das mudanças atuais, o profissional que trabalha com coaching necessita realmente viver a mentalidade de abertura e de busca de renovação e aprendizado constante. A seriedade do profissional será um reflexo desta vivência, que é a base da abordagem. Não basta fazer coaching, é necessário ser coach.
O coach é uma peça importante que “azeita” o funcionamento de equipes e o desenvolvimento individual. Para que isso possa acontecer, o preparo tem que começar no próprio profissional, que precisa “viver” o que acredita e acompanhar as diversas e dinâmicas mudanças, que englobam diversidade, sustentabilidade e inteligência artificial, só para citar algumas.
O mundo está em constante evolução. Nós, como profissionais de coaching, apoiamos e promovemos o desenvolvimento de pessoas e organizações para lidar com essas mudanças.
Se queremos ser percebidos como profissionais éticos e de referência, necessitamos ser consistentes com o que apregoamos para os outros. Necessitamos também investir no nosso contínuo desenvolvimento, para nos adaptarmos às transformações.
Na Quantum Development investimos na nossa jornada como eternas aprendizes. Só assim podemos continuar vivendo com profissionalismo o nosso propósito: expandir a consciência, nossa e de nossos clientes, para gerar protagonismo e engajamento, transformando organizações.
* Bianca Aichinger e Susana Azevedo são ex-executivas, coaches e sócias-proprietárias da Quantum Development.
Sobre a Quantum Development – diferenciando-se do mercado “comoditizado” de desenvolvimento, a Quantum foi criada com o propósito de apoiar organizações e líderes em sua busca por transformação para lidarem com um mundo em constante evolução e se tornarem “future fit”. Em seu portfólio de serviços, a Quantum oferece soluções integradas de desenvolvimento profissional para equipes, grupos e indivíduos que buscam estratégias de transformação eficazes e coerentes com seus valores.


